NOTÍCIAS

30/09/2019

Entrevista Prof. Luiz Carlos Molion - Semitec de 2014

Simpático, extremamente atencioso em esclarecer  as nossas dúvidas, que por sinal são muitas;  foi  um dos palestrantes no Semitec – Seminário Técnico, realizado pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Itanhaém e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, CAU/SP  em  outubro.  A entrevista desse mês é com o Prof. Luis Carlos Baldicero Molion.

Bacharelou-se em Física pela USP em 1969. Em 1975, doutorou-se em Meteorologia, e em Proteção Ambiental  pela Universidade de Wisconsin, Madison, WI, USA, e concluiu seu pós-doutorado no Instituto de Hidrologia, Wallingford, Inglaterra em 1982, na área de Hidrologia de Florestas. Trabalhou como pesquisador de 1989 a 1990 no Wissenschaftskolleg zu Berlin, Alemanha.  Publicou mais de trinta artigos em revistas e livros estrangeiros e mais de oitenta artigos em revistas nacionais e congressos, em particular sobre impactos do desmatamento da Amazônia, climatologia e hidrologia da Amazônia, causas e previsibilidade das secas no Nordeste, mudanças climáticas global e regional, camada de ozônio e fontes de energias renováveis.  Foi cientista chefe nacional de dois experimentos com a NASA sobre a Amazônia.

Aposentou-se do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, onde foi Diretor de Ciências Espaciais e Atmosféricas, como Pesquisador Titular III. Entre 1990-1992, esteve Presidente da Fundação para Estudos Avançados no Trópico Úmido (UNITROP), Governo do Estado do Amazonas, em Manaus, onde desenvolveu  pesquisas  sobre o biodiesel, combustível renovável feito do óleo de palmáceas nativas.nCom mais de 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o carismático Prof. Molion nos concedeu essa entrevista.

Nos dias atuais, qual a sua  atividade acadêmica?

Atualmente estou na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió, como Professor Associado no Instituto de Ciências Atmosféricas, onde  estamos desenvolvendo pesquisas nas áreas de dinâmica de clima, energia renováveis e dessalinização de água; e faço parte da Organização Meteorológica  Mundial (OMM).

Seus depoimentos são duros, o senhor  afirma que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante que a Terra vai esfriar nos próximos vinte anos.  Por quê?

Não diria uma manipulação dos dados, digamos que esses dados são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. O sol é a principal fonte de energia para todo o sistema climático. Há um período de 90 anos aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no início do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando dos próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.

Ao contrário do que todos dizem o senhor afirma que o homem não é o principal responsável pelo Aquecimento Global?

Exatamente, o homem, com suas atividades, não conseguem interferir no clima global. Houve um aquecimento entre 1976 e 1998, mas foi natural, provocado pela frequência alta de eventos El Niño intensos. Esse período terminou em 1998 e, nesses últimos 17 anos, a temperatura global permanece estável, embora a concentração de gás carbônico (CO2) tenha aumentado em 10%.

 Agentes poluentes na atmosfera contribuem para o aumento do efeito estufa?

A atuação do CO2 e do metano na intensificação do efeito-estufa é questionável e se faz necessário rever esse conceito. Física Quântica afirma que, quando uma molécula de CO2 absorve um quantum de radiação infravermelha, ela fica excitada, passa para um estado energético mais elevado e seu decaimento se dá por choques elásticos com outras moléculas que compõem o ar, como nitrogênio e oxigênio, e não por emissão de radiação. Ou seja, se a molécula de CO2 perde a energia absorvida por choques, ela não pode emitir radiação infravermelha e sua contribuição ao efeito estufa seria ínfima, impossível de ser medida.

Para que serviu o Protocolo de Kyoto?

Em princípio, para nada! Países signatários do Protocolo se comprometeram a reduzir 5,2% das emissões de carbono que corresponde a 0,3 bilhões de toneladas de carbono por ano (GTC/a), quantia insignificante em face dos fluxos naturais que somam 200GTC/a. Ao invés da redução, houve um aumento de 10% nas emissões de carbono após a assinatura do Protocolo e esse aumento se deu principalmente na China e nos países desenvolvidos, como Alemanha e Japão, paradoxalmente berço do Protocolo.

Al Gore voltou a fazer alarmes sobre a questão do aquecimento global. Qual a sua opinião sobre os seus alertas pelo mundo?

Seus alertas não têm base científica alguma e não estão se materializando. Mas, serviu para que ele se projetasse globalmente e aumentasse sua fortuna pessoal;

Al Gore recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007 que foi concedido pelos seus esforços na sensibilização para as alterações climáticas. Qual a sua opinião?

Prêmio Nobel da paz é um prêmio político e Al Gore o dividiu com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (sigla em Inglês IPCC) que é o organismo das Nações Unidas que fomenta o aquecimento global antropogênico! No ano seguinte ao de Al Gore, o ganhador do prêmio foi o Presidente Obama que o recebeu por ter mandado 30 mil soldados para o Afeganistão para “manter a paz mundial”. Portanto, é um prêmio de pouca ou nenhuma expressãode mérito.

Al Gore lançou uma competição que dará 25 milhões de dólares para o cientista que apresentar a melhor  proposta para limpar o ar do planeja, ou seja, diminuir o dióxido de carbono na atmosfera, o senhor não vai participar?

Não há como e nem se deve eliminar o CO2 da atmosfera.  É um gás natural, não venenoso, não tóxico e não poluente emitido principalmente pelos oceanos, vegetação e solos. CO2 é o gás da vida, alimento das plantas!  Na hipótese absurda de se acabar com o CO2 na atmosfera terrestre, acabariam as plantas, pois estas vivem por meio do processo de fotossíntese consumindo CO2 e transformando-o em fibras, açucares e amidos. Sem as plantas, acabariam o homem e os animais.

 O que aconteceu com o sistema Cantareira?

 Nada de anormal. Já foram registradas chuvas abaixo da média no passado, entre 1931 e 1936 e entre 1963 e 1969, situações tão severas ou piores que a atual. A diferença é que a atual tem um impacto social muito maior devido ao crescimento populacional. Hoje a população é maior e, portanto, o sistema não tem condições de abastecê-la nessas circunstâncias. Há que se tomar providência para aumentar a reserva de águas.

 

 

 O desmatamento na Amazônia tem alguma influência com a seca em São Paulo?

Não! Uma árvore e a floresta como um todo não são “fontes” de umidade para o ar. Elas apenas retiram do solo a água da chuva, pois 98% a 99% da água que consomem são utilizada para transportar nutrientes e refrigerar a folhagem, cuja temperatura não pode ultrapassar 34°C a 35°C sob pena de danificar seus tecidos. Portanto, as plantas não retêm água, elas apenas são um “transdutor”. Seria com afirmar que “um chuveiro ou um aspersor é fonte de água”. Poder-se-ia dizer o contrário, que o desmatamento aumentaria as chuvas no Sudeste, pois os ventos se acelerariam nos níveis baixos da atmosfera e transportariam mais umidade dos trópicos.

 Alguns ambientalistas estão acusando a construção do Rodoanel, como principal causador da mudança climática de São Paulo. Qual a sua opinião?

O clima de uma região é controlado por fenômenos de escala planetária que, por sua vez, não são controlados pelo homem. É claro que a área urbana apresenta um microclima muito diferente de uma região vegetada. É o chamado efeito de ilha de calor urbana presente em todas as cidades e mais sensível nas grandes metrópoles e se manifesta por temperaturas mais elevadas que em seu entorno vegetado. O rodoanel não modificou em nada o clima da São Paulo urbana.

Com a redução dos níveis das águas, teremos também problemas com a falta de fornecimento de energia elétrica?

Certamente, porque há períodos que a hidroeletricidade chega a compor mais de 90% de nossa matriz energética. Reduzindo as chuvas teremos que lançar mão de mais termelétricas e queimar mais combustíveis fósseis para suprir a demanda. Sem energia elétrica, não há crescimento e melhoria do IDH.

Que tipos de energia o Brasil deveria desenvolver ( além das hidroelétricas) para exterminar o fantasma do racionamento?

Certamente não a eólica e talvez a solar, particularmente no Nordeste e Centro Oeste. Bio combustíveis, como etanol, são fontes de energia renovável, mas há que se ter cuidado para não transformar o país num grande canavial. Outra fonte de bioenergia renovável, e relegada, são os óleos vegetais de palmáceas nativas, como buriti e macaúba. O Brasil tem um grande potencial com mais de 600 espécies de palmeiras já catalogadas e somente essas duas cobrem mais de 30 milhões de hectares, um potencial de 150 milhões toneladas de óleo, equivalente 1,2 bilhões de barris de petróleo, uma verdadeira “Arábia Saudita” verde e renovável. O custo agronômico do óleo de palmáceas se resume à sua colheita e esses óleos podem ser queimados em qualquer motor diesel sem necessidade de modificar quer o motor quer o óleo.

 O que a Amazônia representa para o clima mundial?

Sob o ponto de vista do clima global, é possível que a Amazônia não tenha uma representatividade significativa, pois cobre uma área de 1% do Planeta Terra. Basta dizer que os oceanos, os grandes controladores do clima e principal fonte umidade para o ciclo hidrológico, cobrem 71% da superfície terrestre. Em termos de biodiversidade, porém, a floresta tem um valor inestimável!

O Brasil está fazendo o que precisa pelo meio ambiente?

Na minha avaliação, sim! Eu diria mais do que qualquer outro país, particularmente em termos de reservas e parques florestais. Nenhum outro país do mundo tem uma extensão de área conservada com vegetação como o Brasil. Deve-se acabar com o desmatamento para conservar a biodiversidade e os serviços ambientais fornecidos pela Amazônia;

 Qual a situação da água no planeta vai faltar água para tanta gente?

 Essa afirmação que vai faltar água é questionável. Vivemos num planeta com 71% de oceanos e água jamais será problema. Pode se argumentar que o custo da água será maior se, por exemplo, tivermos que dessalinizar água do mar. É claro que conservando os corpos de água no interior dos continentes, como rios e lagos, o precioso líquido será mais barato e acessível particularmente à população mais carente, que hoje já sofre por não tê-lo disponível.